08/06/2021 às 18:15
Inclusão Digital


Somente 3,2% das escolas têm qualidade de internet para aulas online no Brasil
Convergência Digital*

Um levantamento feito pela Fundação Lemann, com base nos dados disponíveis pelo Censo 2020 e pelo Medidor Simet, mostra que apenas 3,2% das escolas do Brasil cadastradas na plataforma desenvolvida pelo NIC.br têm velocidade adequada, em padrão internacional, para oferecer aulas online.

Na tentativa de mudar o cenário, a Lemann e o NIC.br lançaram a campanha Nossas Escolas Conectadas 2021, para apoiar secretarias de Educação e escolas de todo o país a instalar a ferramenta, que é gratuita. “Com o medidor, é possível ter um melhor diagnóstico da situação das escolas no país e formular soluções que aumentem o número de unidades conectadas com a velocidade de internet adequada”, explica a Fundação Lemann.

Atualmente o Simet já é usado em 27 mil das 140 mil escolas públicas do país. Mas os novos hábitos provocados pela pandemia de Covid-19 intensificaram os conteúdos online. E mesmo com o retorno em modelo híbrido, parte via internet, parte presencial, exige maior qualidade das conexões.

De acordo com o Censo, 75% das unidades educacionais brasileiras possuem conexão à internet. Mas, segundo os dados do Simet, a velocidade média é de 17 Mbps. A Lemann aponta que para chamadas de vídeo entre professor e alunos em casa, o ideal seriam conexões de 100 Mbps.

“A situação é tão crítica que, mesmo se considerarmos os padrões atuais brasileiros, a internet ainda assim é insuficiente. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) define a velocidade adequada de acordo com o tamanho da escola. Ainda assim, apenas 5.425 das 27.541 escolas no medidor têm a velocidade adequada”, avalia a Fundação Lemann.

Os dados colhidos pelo Simet são públicos e registrados em um Mapa Nacional de Conectividade, em que secretários e diretores podem consultar os números de velocidade e outras informações sobre a internet da cada escola. “Depois de atribuir um número ao problema, você consegue entender o tamanho do buraco, quais recursos são necessários, e estabelecer metas para resolvê-lo”, disse o chefe de operação da EducationSuperHighway, Jack Lynch, no lançamento da campanha. A ONG é responsável pelo apoio à conectividade das escolas dos EUA.

Também durante o lançamento da campanha, o secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, anunciou que todas as escolas da rede pública estadual vão adotar o medidor Simet. “É fundamental que a gente coloque o Medidor na mão do estudante, na mão de toda a escola, que todo o processo seja o mais democrático, para que haja uma cobrança em cima dos gestores públicos”, afirmou Rossieli.

* Com informações da Fundação Lemann e da Agência Brasil


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